quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Uma "nova" integrante no agrupamento B

A Alice no agrupamento “B” - A vinda de uma “nova” integrante para o agrupamento objetivou promover nas crianças reflexões acerca da diversidade étnico-racial existente no agrupamento e na instituição, respondendo às questões sobre nosso Plano de Formação.
Nas rodas de conversa destacamos a importância do respeito coletivo que fomos estabelecendo no decorrer da rotina, principalmente do cuidar do outro, do aprender a resolver os conflitos através da fala ou buscando auxílio das professoras.
Nosso grupo é diverso e podemos avaliar que estabelecemos uma relação de respeito e afetividade com todos. As crianças têm nas professoras suas parceiras para as brincadeiras e nos diferentes momentos da rotina. E através deste trabalho buscamos reafirmar a importância do respeito nas relações criança-criança e criança-adulto. 
Assim em nossa roda de música e de conversa trouxemos uma caixa surpresa fazendo expectativas no grupo em suas hipóteses. 



      Diante da personagem surpresa foi possível perceber alguns olhares curiosos e inquietantes que a princípio poderiam ser expressos como “que legal”, “me dá quero brincar”.



       Assim possibilitamos a ampliação deste interesse ao de trazer a nova integrante para nossa rodinha de conversa vinda da obra literária “Alice Vê” – Sonia Rosa /Luna, sendo que ela fará parte do brincar das crianças estabelecendo vínculos afetivos através da brincadeira, das interações, dos diálogos entre outros.


       Ao trazermos a personagem para a rotina foi possível perceber as crianças integradas e envolvidas nas ações do cuidar refletindo nas relações entre criança-criança.







               Não pretendemos afirmar que todas as crianças foram solícitas com a proposta, no decorrer das atividades algumas recusaram o contato com a boneca, mesmo não o fazendo com os colegas de descendência Afrobrasileira. No decorrer das brincadeiras envolvendo a boneca como integrante do brincar e da mediação das professoras incentivando o contato essas crianças aos poucos foram brincando, segurando a boneca por alguns instantes. 
             Sobre o trabalho com as relações étnico-raciais podemos afirmar:  
As crianças nascem abertas à diversidade, sem preconceitos, e os vão aprendendo nas relações sociais das quais participam desde o nascimento. Essa aprendizagem se dá tanto pelas linguagens faladas e escritas, como visuais, musicais, corporais (incluímos a brincadeira) etc. É através dessas linguagens que aprendemos a dar sentido às coisas e a nós mesmos. E esses artefatos são instrumentos didáticos das práticas cotidianas da escola. Se a escola oferece à criança um ambiente que expresse o respeito e a valorização das características e referências ligadas aos diversos sujeitos do seu contexto, cumprirá seu papel de formação para a diversidade. Um dos instrumentos desse ambiente é o acervo de literatura infantil. (...), personagens e valores presentes na literatura infantil se tornam referência para o fortalecimento da autoestima da criança, influindo, portanto, na construção de sua identidade (LIMA, 2011 p. 153).

     
 Registramos alguns momentos que a Alice esteve nas brincadeiras e durante o café da manhã recebendo o carinho das crianças que serviram pão em sua boca:

















       






       Avaliamos que mesmo não percebendo situações preconceituosas ou de discriminação explicitas temos que cotidianamente nos atentarmos para as interações, ter o olhar atento e o cuidado de perceber como e com quem as crianças brincam, as crianças que se isolam, não por que escolheram brincar sozinhas, trazendo a turma para a interação, respeitando o brincar sozinho que é diferente do não participar do brincar coletivo. 
        Em breve teremos um novo personagem para fazer parte dos trabalhos desenvolvidos e caberá às crianças escolher seu nome.

REFERÊNCIA



LIMA. Maria Batista. Identidades étnico-raciais, infância afro-brasileira e práticas escolares. In: ROCHA, Eloisa A. C.; KRAMER, Sonia (Org.) - Educação Infantil: enforque em diálogos. Campinas, SP: Papirus, 2011. 
          

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